Boletim Econômico – Agosto/19

O panorama econômico do Brasil, poucas vezes na sua história, pareceu tão favorável à retomada de crescimento quanto agora. O país trocou um cenário de altas taxas de juros, inflação descontrolada e câmbio instável, por um ambiente com taxa de juros reduzida, inflação controlada e reservas cambiais fortes o suficiente para administrar o câmbio e praticamente zerar sua dívida externa. Infelizmente, chegamos nesse ponto em tempos pouco favoráveis internacionalmente. É como se estivéssemos prontos para decolar o avião em meio à turbulência. Por outro lado, ainda temos os graves problemas no âmbito político, onde os descontroles com os gastos públicos envolvem despesas obrigatórias que comprometerão praticamente todo Orçamento de 2020.

Economia

Embora o Produto Interno Bruto brasileiro tenha apresentado sucinta melhoria no segundo semestre desse ano (0,4%, comparado ao trimestre anterior), uma outra perspectiva, pelo PIB per capita (relação entre PIB e o número de habitantes de um país), demonstra que estamos longe de reverter o ciclo de recessão. O indicador caiu 10% entre 2015 e 2016. Composta tanto pela queda na produtividade dos agentes, quanto pelo grave descontrole dos gastos fiscais, o país passa por uma mudança estrutural. A divida bruta do governo atingiu 77% do PIB em 2018 e o comitê orçamentário de 2020 já prevê que 94% do Orçamento da União está tomado por despesas obrigatórias, como o pagamento da previdência e de salários, restando apenas 6% para investimentos, educação e projetos de bem-estar social. Em um ambiente desfavorável ao aumento de receitas (elevação da carga tributária), é de suma importância sua revisão, para melhor alocação dos recursos públicos.

Algumas medidas tomadas pelo governo, como a redução da taxa básica de juros para 6% ao ano, a nova política de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal, indexando as taxas de financiamento ao IPCA (0,11% em agosto) e o plano de privatizações, que inclui empresas como Correios e Telebrás, certamente auxiliarão como estímulo econômico, mas a verdadeira mudança deverá vir com as aprovações das reformas da previdência, tributária e fiscal. Frente a este cenário, o governo alterou, de 0,8% para 0,85%, o crescimento para 2019.

SELIC 6,0% a.a | Dólar*(US$) R$ 4,1421 | Euro*(€) R$ 4,5579

Política

Como principal bandeira reformista da atual gestão, a Reforma da Previdência segue sua tramitação no Senado, com movimentos favoráveis que deverão incluir estados e municípios nas mesmas regras de âmbito federal. Contudo, a delonga na aprovação desses pontos, postergou para novembro a conclusão da emenda. Ainda em sua agenda de reformas, foi aprovada, pela Câmara e pelo Senado, a Medida Provisória da Liberdade Econômica que, visando reduzir burocracias e facilitar empreendimentos, traz mudanças no mercado de trabalho e nas relações entre empresas e estado. Um ponto de repercussão internacional, foram as queimadas na Amazônia. O modo como o governo tratou o assunto, bem como a recusa de recursos externos, gerou um possível impacto no comércio exterior do país, tendo em vista o pedido da Finlândia para banir as importações de carne brasileira, enquanto França e Irlanda cogitaram bloqueios comerciais.

Novo PGR

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, à sucessão de Raquel Dodge, atual procuradora-geral da República, fica à cargo de Augusto Aras, ocupar o cargo máximo do Ministério Público Federal (MPF). Apesar de ainda requerer a aprovação pelo Senado (sem data definida), o tema tem sido bastante discutido pelas esferas do governo, evidenciando que, pelo fato de não ter passado por debates públicos, se tratou de uma escolha pessoal do presidente.

BREXIT

Ainda sem acordo entre as alas do governo britânico, o Brexit passa por mais um mês de incertezas. As tensões entre a decisão de uma saída sem acordo, estão afetando o comercio internacional do Reino Unido, podendo até haver impactos na economia brasileira, tendo em vista o poder econômico dos países envolvidos nesse impasse. O premiê Boris Johnson, substituto de Teresa May, considera que não é cabível que o Reino Unido saia da comunidade europeia sem o acordo.

Argentina

A repercussão da crise da Argentina passa a atingir diretamente o Brasil, uma vez que o país é o terceiro maior parceiro comercial brasileiro. Impacto também para o Mercosul, visto que a instabilidade na economia argentina prejudica os acordos do grupo com a União Europeia, Estados Unidos, dentre outros.

Cenário Internacional

Agosto foi um mês de grandes acontecimentos no panorama internacional. A guerra comercial entre Estados Unidos e China, apesar de parecer ter entrado nos eixos para um possível acordo entre as partes, apenas intensificou o confronto entre os países, após anúncio de desvalorização do yuan pelo governo Chinês. A repercussão desse conflito não mais afeta apenas as economias emergentes, o PIB da Alemanha recuou 0,1% no segundo trimestre, agravado, tanto pelos desafios da indústria automobilística, principal empregadora e pilar de crescimento do país, quanto pelas incertezas advindas dos conflitos comerciais. Na América do Sul, a atenção se voltou para a crise interna da Argentina,  onde as primárias das eleições presidenciais, lideradas por Alberto Fernández (Cristina Kirchner – ex-presidente da Argentina, como vice da chapa), colocou em pânico o mercado financeiro do país. Em um único dia, a Bolsa da Argentina caiu 40% e o peso desvalorizou 20% contra o dólar. A agência de classificação de risco Fitch, rebaixou o índice do país para “default”, patamar onde o país poderá dar calote quanto ao pagamento de suas dívidas.

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Consulcamp
Campinas-SP

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