Boletim Econômico Julho/19

O atual cenário econômico brasileiro ainda é delicado e incerto. Os anseios dos agentes econômicos com a retomada do crescimento para este ano, advindos das propostas e realizações em torno do novo governo, acabam ficando mais distantes à medida que os projetos e reformas propostas vão se postergando, levando os rumos da economia a caminhos ainda indefinidos. O cenário internacional também está provido de incertezas, uma vez que as disputas comerciais entre as maiores economias mundiais, geram turbulências nas economias locais. Juntamente a isso, a estagnação do crescimento global, bem como a área do Euro, intensificada pelo maior protecionismo das economias, apenas auxiliam na continuidade da crise interna em nosso país. A expectativa é de que, com as reformas aprovadas pelo Governo dentro do segundo semestre, a economia entre em novos eixos e retome o ciclo de crescimento para 2020.

Economia

O cenário econômico vem se demonstrando aquém do esperado no começo do ano, período no qual as expectativas dos agentes visavam pela retomada do crescimento econômico. No cenário interno, observa-se a apreensão, tanto dos investimentos do capital privado, quanto do consumo das famílias frente às incertezas do rumo das reformas propostas pelo Governo, influenciando diretamente na estagnação do desempenho econômico. A representação deste cenário pode ser observada pela manutenção da inflação (IPCA; 0,19% em Julho – menor patamar para o indicador em cinco anos), caracterizando o funcionamento da economia em níveis fracos. Com o intuito de tentar conduzir o país para o ciclo de crescimento, algumas medidas importantes foram adotadas pelo Governo.

No final do mês, o Conselho de Política Monetária reduziu a taxa básica de juros de 6,5% para 6% ao ano, como medida para incentivar o aumento do crédito para o consumo e para novos investimentos em produção. Outro ponto importante foi a liberação do saque das contas ativas e inativas do FGTS e PIS/Pasep, com expectativas de movimentação da economia pelo estímulo ao consumo. Acredita-se que com aproximadamente R$ 40 bilhões injetados na economia, acarretará um impacto positivo de 0,35 p.p no PIB para 2019. Dado importante foi a estabilidade da taxa de desemprego (12,3%) e a criação de 48 mil novas vagas formais em Junho, com destaque para o setores de Serviços e Agropecuária, demonstrando um discreto fôlego e boas expectativas para os próximos meses.

Política

O mês de julho foi marcado na política pelo avanço do primeiro turno de votação da proposta de emenda constitucional da reforma da previdência pela comissão da CCJ, na câmara dos deputados. Apesar da desidratação do texto original, estimativas do governo acreditam em uma economia de R$ 900 bilhões, em 10 anos, com a reforma. Em agosto, já tivemos a aprovação do segundo turno e agora será tramitada a aprovação, em dois turnos, no senado federal. Outro fato importante foi o vazamento de informações de Sérgio Moro, condizentes à operação Lava-Jato, pela Intercept Brasil, alegando imparcialidade do até então juiz, na condução da operação. Cabe-se dizer que tais atos conduzem a uma série de consequências políticas, como a imagem do governo, bem como o andamento das medidas do pacote anticorrupção e anticrime.

Pontos de Atenção:

Apesar dos olhares estarem voltados atualmente para a reforma da previdência, outras propostas, tão importantes quanto, necessitam de atenção.

Reforma Tributária

Desburocratização. Talvez um dos principais entraves do país. A proposta incorpora uma série de medidas para sanar problemas, como tributos excessivos sobre consumidores e empreendedores, guerra fiscal entre estados e federação, dentre outros.

Revisão do Pacto Federativo

Atualmente, a diversidade de cultura e de problemas de estados e da federação é comprometida pela impossibilidade de conciliar os interesses conjuntos. A proposta visa dar mais autonomia para os estados conduzirem sua governança em prol do bem-estar social de sua população.

Cenário Internacional

O mercado externo segue marcado pela volatilidade e incertezas quanto aos conflitos comerciais entre EUA e China.

Por um lado, vemos os Estados Unidos elevando as tarifas de importação para produtos Chineses e, por outro lado, a China se utilizando da desvalorização cambial para suavizar o impacto da guerra comercial. O fato é que a volatilidade comercial entre as duas maiores economias do mundo é refletida para os demais países, protagonizando uma desaceleração generalizada no comércio internacional. A tensão comercial também foi sentida pela Europa, levando a Comissão Europeia (CE) a manter o crescimento na área do euro em 1,2% para 2019. Outro ponto relevante é relacionado ao Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. Dados de Julho apontam que a atividade industrial, associada às incertezas políticas e econômicas, locais e globais, demonstram a pior queda do indicador em sete anos. A Inglaterra anunciou seu novo primeiro-ministro, Boris Johnson, que promete avançar com a saída do país da UE até outubro deste ano.

Consulcamp

Campinas-SP

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